O filme A Hora do Mal narra o desaparecimento misterioso de 17 crianças, exceto uma, de uma mesma turma que fogem simultaneamente de suas casas durante a madrugada, sem qualquer sinal de arrombamento ou sequ estro. Toda a pequena cidade fica tomada pela angústia e pela busca por respostas sobre o que teria acontecido naquela noite. Quem ou o que estaria por trás desse mistério inquietante?
Desde o começo, a trama prende ao revelar que as crianças desapareceram exatamente às 2h17 da manhã, dando início a uma investigação que se divide em blocos narrativos, cada um mostrando um ponto de vista importante para entender o mistério. O sumiço de tantas crianças numa cidade pequena é um choque profundo, e o filme o retrata bem, criando uma atmosfera pesada de tensão e desespero. A narrativa fragmentada faz o espectador ficar ligado, montando o quebra-cabeça sem respostas fáceis, o que mantém o clima de interesse e curiosidade até o final.
Justine Gandy (Julia Garner), é uma dessas personagens. Sua vida já instável é abalada ainda mais quando se torna alvo do julgamento dos pais e decide se envolver profundamente na busca pela verdade. O filme também traz o ponto de vista do pai Archer Graff (Josh Brolin), que enfrenta a dor da perda e tenta encontrar explicação para os fatos, o do policial responsável pela investigação Paul Morgan (Alden Ehrenreich), e o diretor da escola Andrew (Benedict Wong), que busca manter o equilíbrio entre a razão e as tensões emocionais presentes na comunidade.
No segundo ato, Anthony (Austin Abrams), personagem surge e adiciona um tom levemente cômico, aliviando a tensão, mas ao mesmo tempo provocando dúvidas sobre seu possível envolvimento, tornando sua participação primordial para o desenrolar da história. Essa multiplicidade de pontos de vista enriquece a compreensão dos eventos.
Complementando esse cenário, os personagens Alex Lilly (Carey Christopher), e sua tia Gladys Lilly (Amy Madigan), introduzem elementos que transitam entre o terror sobrenatural, mítico e o gore, contribuindo para um desfecho que não deixa pontas soltas. Ao sair da sessão, a sensação é de quem experimentou uma refeição que surpreende e deixa você satisfeito ao sair do restaurante.
Inteirando vocês dos detalhes técnicos, o longa, dirigido por Zach Cregger, conhecido por Noites Brutais (2022), traz influências claras de clássicos do terror como O Iluminado (1980) e It: A Coisa (2017), além do diretor trazer inspirações do drama épico de Paul Thomas Anderson, Magnólia (1999). O roteiro, escrito pelo próprio Cregger, aposta em pistas ambíguas que estimulam o público a especular se os desaparecimentos têm causas sobrenaturais, criminais ou algum outro fator inexplicável.
O diretor e roteirista parece ter conseguido se consolidar com seu terror e tudo leva a crer que podemos esperar ansiosos por sua versão futura de Resident Evil, além de provar que ele é um dos grandes nomes da nova geração do gênero trazendo inovação, originalidade e experiência em criar grandes projetos em Hollywood.
Por fim, embora A Hora do Mal seja bem diferente de Pecadores, que ainda considero o melhor terror do ano, merece o segundo lugar por sua narrativa original que foge do convencional sem perder clareza. O filme mantém o mistério constante e traz uma ambientação sombria que envolve o espectador em uma sensação persistente de inquietação, temperada por uma ponta de otimismo.















