
“A sequência aposta na vertigem e acrescenta novos obstáculos, mas a falta de química entre as protagonistas enfraquece o suspense“
Em 2022, A Queda conseguiu transformar uma premissa simples em um suspense extremamente eficiente. A história de duas amigas presas no alto de uma torre abandonada funcionava pela relação entre Becky (Grace Caroline Currey) e Hunter (Virginia Gardner), duas personagens com personalidades bem definidas e uma dinâmica que ajudava a sustentar a tensão. O filme encontrou na vertigem seu principal recurso e desenvolveu conflitos pessoais que faziam o público se importar com o destino das protagonistas.

Já em A Queda 2: No Limite, a história acompanha Jax Hunter (Harriet Slater), que ainda lida com o luto pela morte da irmã, Hunter (Virginia Gardner). Ao lado de Luce (Arsema Thomas), amiga da falecida, Jax decide viajar para a Tailândia para realizar um dos planos da irmã: chegar ao Olho do Dragão, uma formação em meio às montanhas associada à lenda de que o dragão devora os medos de quem alcança o local. A aventura, porém, se transforma em uma luta pela sobrevivência quando as duas ficam presas em uma estrutura suspensa, expostas à altura e aos riscos do percurso.
O problema é que A Queda 2: No Limite parte de uma continuação que, para mim, não parecia necessária. O primeiro filme tinha uma história bastante amarrada e, por isso, eu imaginava que uma eventual sequência acompanharia a personagem que havia sobrevivido àquela experiência. A escolha de acompanhar Jax e Luce cria uma distância que o roteiro não consegue preencher. As duas não têm química nem desenvolvem uma conexão genuína que torne a relação interessante antes de serem colocadas em uma situação extrema. Sem essa construção, o que resta ao espectador é acompanhar os perigos que surgem ao redor das protagonistas e a tensão provocada pela altura.

A mudança de cenário para a Tailândia poderia renovar a franquia, mas a subtrama envolvendo drogas parece uma tentativa de acrescentar acontecimentos para estender a história. A entrada de Jon Platt (Tom Brittney) traz outro elemento à história, embora o conjunto não contribua de forma expressiva para o desenvolvimento das protagonistas. É como se o filme precisasse encontrar novos obstáculos para justificar sua existência, quando a própria situação de sobrevivência já deveria ser suficiente.
Ainda assim, quando coloca seus protagonistas diante do vazio, o filme sabe como mexer com o público. A vertigem permanece como seu maior trunfo, e algumas sequências conseguem reproduzir a sensação física de desconforto que fez o primeiro longa funcionar tão bem. A fotografia, porém, nem sempre contribui para a experiência. Como a ação se passa majoritariamente em uma região montanhosa, há cenas excessivamente escuras, nas quais a imagem perde força e dificulta a percepção do que está acontecendo.

No fim, A Queda 2: No Limite sustenta o suspense pela sensação de perigo, mas a falta de química entre Jax e Luce compromete o envolvimento com a história. As protagonistas precisavam de mais contexto, personalidade e momentos que justificassem a conexão entre elas antes de serem colocadas no limite. O longa também parece mais longo do que realmente é, com situações que se estendem além do necessário. Como espectadora, esperava uma continuação que retomasse a personagem sobrevivente do primeiro filme, possibilidade que fica em aberto para um próximo capítulo.







