Crítica|POV: Presença Oculta

O filme POV: Presença Oculta oculta apresenta uma proposta narrativa ao contar sua história a partir da perspectiva dos policiais em serviço. A trama acompanha os agentes Jackson, interpretado por Jaime M. Callica, e Bryce, vivido por Sean Rogerson, são chamados para investigar uma briga domiciliar. A partir desse evento, os policiais tentam esconder os rastros do que realmente aconteceu. No entanto, a noite passa a revelar acontecimentos cada vez mais perturbadores.

O título original Body Cam indica o dispositivo central da narrativa: a câmera corporal que os policiais usam para registrar suas ações. Esse recurso conduz toda a estrutura do filme. As imagens captadas pelos equipamentos dos agentes e pela câmera 360 graus do carro policial mostram os eventos quase inteiramente em primeira pessoa. Esse formato aproxima o longa do estilo found footage, no qual a sensação de realidade é maior. Ao mesmo tempo, a narrativa reforça a vigilância constante sobre as ações dos policiais.

No início, o filme demora a instaurar o clima de terror porque os personagens se concentram em discutir a ética da atuação policial. As discussões trazidas pelos personagens são superficiais, especialmente quando um deles demonstra resistência em registrar e relatar os fatos de forma transparente. O roteiro não aprofunda esses conflitos, e a relação entre dever institucional e autopreservação é apenas sugerida. A atenção dada a essas conversas retarda o avanço da trama para os eventos mais perturbadores. 

A ambientação transmite a impressão de que os personagens entraram em um lugar onde algo está profundamente errado. Em vários momentos, é difícil distinguir se as pessoas que aparecem são apenas usuários de drogas ou se há algo sobrenatural envolvido. Essa ambiguidade contribui para a construção do medo. Ao mesmo tempo, o cenário sugere um espaço social marginalizado, distante do restante da cidade.

A direção e o roteiro são assinados por Brandon Christensen, cineasta que já havia trabalhado no horror independente com filmes como O Enviado do Mal (Still/Born, 2017) e Amizade Maldita (Z, 2019). Conhecido por produções de recepção moderada, Christensen opta aqui por uma narrativa bastante concentrada no recorte de uma única noite. O filme evita explicar completamente a origem dos acontecimentos, preferindo acompanhar o desenrolar dos fatos em tempo real. Alguns personagens secundários surgem de maneira repentina, como uma policial e a mãe extremamente religiosa de um dos agentes. Essas participações acabam funcionando mais como facilitadores narrativos do que como elementos orgânicos da história.

No conjunto, POV mostra a história pelas câmeras corporais e do carro, mas a narrativa demora a engatar e se torna esquecível. A trama se desenrola como um episódio de programa policial, com poucos momentos realmente marcantes. A sensação de ameaça é repetitiva, e o enredo não consegue se sustentar. Em última análise, o filme aposta na forma, mas não transforma isso em uma história consistente ou impactante.